O canto do Cerrado: conheça a seriema e sua importância para o bioma
Alta, elegante e dona de um canto inconfundível, a seriema é uma das aves mais emblemáticas do Brasil. Encontrada caminhando pelos campos abertos do Cerrado, ela chama atenção não apenas pela aparência curiosa, mas também pelo importante papel que desempenha no equilíbrio ambiental.
16 de junho de 2026
Em um mundo onde a pressão sobre os recursos naturais cresce cotidianamente, pensar que conservação e desenvolvimento podem andar de mãos dadas já deixou de ser utopia. Essa integração se torna realidade concreta em territórios como o Legado Verdes do Cerrado (LVC). Ali, não se trata apenas de um conceito inspirador é prática diária, estratégia de gestão e compromisso com o futuro.
O Cerrado é um dos biomas mais ricos do planeta, reconhecido como a savana mais biodiversa do mundo. São cerca de 6 mil espécies de plantas nativas e centenas de espécies animais, muitas delas endêmicas, ou seja, encontradas somente aqui. Ao mesmo tempo, é um dos biomas mais ameaçados do país: menos de 9% está legalmente protegido, e a perda de vegetação nativa já ultrapassa metade de sua extensão original. Esses números evidenciam a urgência de modelos que conciliem proteção ambiental e desenvolvimento econômico.
É nesse cenário que iniciativas estruturadas e de longo prazo fazem a diferença. Com 32 mil hectares, sendo cerca de 80% da área em alto grau de conservação, o Legado Verdes do Cerrado demonstra que é possível integrar desenvolvimento socioeconômico e conservação ambiental de forma estratégica, ética e eficaz. Na Reserva, conservação não é obstáculo ao crescimento é a base que sustenta valor, gera oportunidades e orienta decisões.
Conservação como motor de valor
O modelo do LVC parte de uma visão integrada do território. Ao combinar diferentes usos da terra, de atividades convencionais a agroflorestas, projetos de restauração ambiental e iniciativas relacionadas a carbono, a Reserva demonstra que produzir e proteger podem coexistir de maneira complementar.
Esse compromisso se traduz em resultados concretos:
• Proteção de espécies: o monitoramento contínuo e as pesquisas realizadas no território já identificaram mais de 1.670 espécies de fauna e flora. Entre elas, duas novas espécies de plantas descritas para a ciência: Erythroxylum niquelandense e Oxandra cerradensis. Esse dado reforça a relevância da área não apenas para a conservação, mas também para o avanço do conhecimento científico sobre o Cerrado.
• Educação e pesquisa científica: além de apoiar estudos técnicos e monitoramentos ambientais, o LVC investe na formação e na sensibilização de pessoas. O Programa Portas Abertas promove vivências e atividades educativas com estudantes, professores e comunidades, aproximando a comunidade do território e ampliando a consciência sobre a importância do bioma. Ao abrir caminhos para o conhecimento, o programa fortalece a ideia de que conservar também é educar.
• Economia verde: o território abriga iniciativas produtivas alinhadas à sustentabilidade, como projetos de agrofloresta e sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que promovem uso responsável da terra, diversificação de renda e regeneração ambiental. Essas práticas demonstram que é possível produzir com eficiência, reduzir impactos e fortalecer cadeias sustentáveis sem abrir mão da conservação. Soma-se a isso a produção de mudas nativas para restauração e paisagismo, ampliando o impacto positivo para além dos limites da Reserva.
Ao integrar ciência, educação e produção sustentável, o LVC consolida um modelo em que a conservação gera valor ambiental, social e econômico.
Depoimentos que inspiram
Essa integração ganha ainda mais força quando observada sob a perspectiva de quem vive o território diariamente. No Legado Verde do Cerrado, conservação e desenvolvimento não são apenas diretrizes estratégicas são experiências concretas, construídas nas decisões técnicas, no trabalho colaborativo e na responsabilidade compartilhada.
Quando conservação e desenvolvimento se entrelaçam, a natureza é protegida, as comunidades prosperam e a economia se fortalece de forma sustentável. No Cerrado, esse equilíbrio não é apenas desejável, é urgente.
O trabalho do Legado Verdes do Cerrado demonstra que é possível construir caminhos em que o desenvolvimento respeita os limites da natureza e em que a conservação se transforma em valor social, científico e econômico. Mais do que um modelo de gestão, trata-se de uma escolha: produzir hoje sem comprometer o amanhã.
* Thayná Agnelli é jornalista formada pela FAPCOM, tem experiência em gestão de redes sociais e é responsável pela criação de conteúdos para o Legado Verdes do Cerrado.
“Trabalhar em um território protegido é fazer parte de algo maior, é saber que você está ajudando a cuidar do futuro de todos”, enfatiza Juliana Freitas, analista comercial da Reserva.
A mesma percepção de responsabilidade aparece nas frentes técnicas, onde cada escolha influencia diretamente o bioma e seus processos ecológicos.
“Trabalhar no Legado Verde do Cerrado significa atuar com responsabilidade ampliada, sabendo que cada decisão técnica influencia diretamente a conservação do Cerrado. Além disso, representa integrar um modelo de gestão inovador, que combina economia verde, uso sustentável da terra e conservação ambiental de longo prazo”, destaca Marcel Rocha, engenheiro do LVC.
Há também quem sintetize essa vivência de maneira simples e profundamente simbólica: “Trabalhar no Legado é perceber o valor da natureza”, ressalta Waliston Marques, técnico PCM.
Essas vozes revelam o que sustenta o modelo do LVC: pessoas comprometidas, conscientes de seu papel e conectadas a um propósito comum: proteger o Cerrado enquanto constroem oportunidades no presente.