O canto do Cerrado: conheça a seriema e sua importância para o bioma
Alta, elegante e dona de um canto inconfundível, a seriema é uma das aves mais emblemáticas do Brasil. Encontrada caminhando pelos campos abertos do Cerrado, ela chama atenção não apenas pela aparência curiosa, mas também pelo importante papel que desempenha no equilíbrio ambiental.
16 de junho de 2026
Nesse contexto, a agrofloresta emerge como uma estratégia inovadora para transformar a maneira como cultivamos e cuidamos da terra.
Mas afinal, o que significa esse conceito?
Agrofloresta, também chamado de Sistema Agroflorestal (SAF), é um modelo de manejo integrado que combina, em um mesmo espaço, espécies florestais, cultivos agrícolas e, em alguns casos, criação de animais. Essa sinergia busca replicar os processos ecológicos típicos de formações naturais, criando sistemas mais resilientes, férteis e produtivos.
E não se trata apenas de uma ideia teórica: conforme apontam estudos da Embrapa, a agrofloresta é uma alternativa eficiente para otimizar o uso do solo, colaborar na recuperação de áreas degradadas e trazer soluções práticas tanto para os produtores quanto para o meio ambiente.
Mais do que um simples método agrícola, esse sistema representa uma estratégia que agrega valor à produção rural, amplia fontes de renda, fortalece cadeias produtivas sustentáveis e estimula a inovação no setor. Para investidores, agricultores e gestores ambientais, a agrofloresta configura uma oportunidade real de unir produtividade com compromisso socioambiental, estabelecendo um modelo de negócio que é, ao mesmo tempo, viável e necessário.

Sistema Agroflorestal do Legado Verdes do Cerrado | Foto: Wesley Dourado
Benefícios
A combinação inteligente da agrofloresta gera benefícios expressivos tanto para o ambiente quanto para as comunidades rurais. Entre as principais vantagens desse sistema está a capacidade de recuperar áreas degradadas. Ao associar espécies nativas com outras adaptadas ao local, os sistemas agroflorestais contribuem para restaurar solos, aumentar a cobertura vegetal e reestabelecer o equilíbrio ecológico. Além disso, a presença de diferentes tipos de plantas favorece a ciclagem de nutrientes, elevando a fertilidade do solo e tornando-o mais resistente à erosão.
Outro aspecto fundamental é o sequestro de carbono. As árvores inseridas nas agroflorestas desempenham um papel relevante na captura de gases de efeito estufa (GEE), colaborando de forma direta para a mitigação das mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, a diversidade de cultivos torna a produção mais estável e segura, reduzindo a dependência de uma única safra e ampliando as possibilidades de renda ao longo do ano.
O sistema agroflorestal também se destaca por favorecer a diversidade biológica. Ao reunir diferentes espécies de plantas e animais em uma mesma área, cria-se um ecossistema mais estável, onde polinizadores, a fauna nativa e a vegetação encontram espaço favoráveis para prosperar e se desenvolver.
Além dos ganhos ambientais, os SAFs também apresentam bons resultados econômicos. No caso do Cerrado, pesquisas apontam que esse modelo produtivo oferece uma Taxa Interna de Retorno (TIR) superior à Taxa Mínima de Atratividade (TMA), indicando que é possível obter lucros acima do valor inicialmente investido.
Esse conjunto de benefícios mostra que a agrofloresta não é apenas uma técnica, mas uma estratégia abrangente para produzir com inteligência, respeitando os ciclos da natureza e fortalecendo a sustentabilidade no campo.
Um exemplo é o projeto desenvolvido pelo Legado Verdes do Cerrado, a primeira Reserva Privada de Desenvolvimento Sustentável de Goiás e do bioma no país. Em uma área que anteriormente era ocupada por eucaliptos, foi implantado um SAF com espécies nativas, como o baru e o cajuzinho-do-cerrado, combinadas com limão, banana e goiaba. A iniciativa demonstra como é possível diversificar a produção, garantir colheitas ao longo do ano e criar novas oportunidades de geração de renda para pequenos produtores.
Sistema Agroflorestal do Legado Verdes do Cerrado | Fotos: Dannilo Vono
Ao unir conhecimento técnico com os processos da natureza, a agrofloresta se apresenta como uma solução prática e adaptável para tornar a produção no campo mais equilibrada e eficiente. Sua presença mostra que é possível cultivar respeitando o tempo da terra e mantendo a produtividade ao mesmo tempo em que se cuida do ambiente. É uma forma de promover com consciência e os olhos voltados para um amanhã mais fértil, diverso e rico em possibilidades.
* Thayná Agnelli é jornalista formada pela FAPCOM, tem experiência em gestão de redes sociais e é responsável pela criação de conteúdos para o Legado Verdes do Cerrado.
Em 2025, o território dobrou a área destinada às agroflorestas, reforçando seu compromisso com práticas produtivas regenerativas, um modelo que favorece a biodiversidade, a recuperação do solo e um uso mais eficiente da terra. Somados aos investimentos em tecnologia e no fortalecimento das áreas técnicas, esses avanços também contribuíram para aumentar a produtividade das áreas destinadas às atividades convencionais, mostrando que é possível conciliar desempenho econômico e responsabilidade ambiental.