Quando conservar também significa capturar carbono
Quando pensamos em enfrentar as mudanças climáticas, muitas soluções parecem complexas ou distantes.
17 de abril de 2026

Hoje, as mudanças climáticas são um dos desafios globais mais urgentes a serem enfrentados pela humanidade e, contraditoriamente, são impulsionadas, sobretudo, pelas atividades humanas.
O aumento das emissões dos gases de efeito estufa (GEE) são uma das suas principais causas, uma vez que acentua a temperatura média global. Não é à toa que hoje temos a maior concentração GEE na atmosfera, logo, a Terra está 1,1ºC mais quente em relação ao final do século XIX.
E não para por aí!
Estudos do Sexto Relatório de Avaliação (AR6), do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), revelam que, até 2040, há mais de 50% de chances de a temperatura mundial alcançar, ou até mesmo ultrapassar, um crescimento de 1,5ºC e, até 2100, chegar a 3,2ºC. Como complemento, dados do Programa de Observação da Terra da União Europeia – Copernicus indicam que o mês de setembro deste ano foi o mais quente da história, ou seja, superou em 0,5ºC o recorde anterior, ficando 1,8ºC acima dos níveis pré-industriais.
Preocupante? Sem dúvidas. Mas existem soluções, uma delas é manter as florestas em pé.

Conservar as florestas é primordial, visto que a fauna e a flora são capazes de controlar os ecossistemas e manter o equilíbrio ecológico. Enquanto algumas espécies de animais, como as antas e as aves, são eficazes na dispersão de sementes que geram novas plantas, as árvores, além de liberarem oxigênio (O2) na atmosfera, são fundamentais para a captação do dióxido de carbono (CO2), um dos principais GEE. Segundo uma pesquisa publicada na revista científica Nature Climate Change, de 2001 a 2019, as florestas espalhadas mundo afora sequestraram duas vezes mais CO2 do que emitiram na atmosfera, isso significa que elas conseguiram absorver 7,6 bilhões de toneladas de carbono. Contudo, o desmatamento ainda é constante, sendo a perda de florestas tropicais a mais excessiva, assim a preocupação com o efeito estufa e aquecimento global continuam sendo uma realidade.
De acordo com dados da plataforma Global Forest Watch, ano passado a perda de florestas tropicais primárias foi de 4,1 milhões de hectares. Por minuto, isso equivale a devastação de 11 campos de futebol.
Infelizmente, o Brasil continua sendo o país com a maior perda. De 2021 a 2022, houve um aumento de 15% no desmatamento, sendo a nação responsável por 43% do total global. Desta forma, os 1,8 milhão de hectares derrubados resultaram em 1,2 gigatoneladas de emissões CO2 na atmosfera.
Neste cenário de preocupação com o futuro climático, temos o REDD – Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação. O conceito surgiu como um conjunto de incentivos econômicos, com o foco na diminuição das emissões de GEE resultantes do desmatamento e da degradação florestal. Hoje, chamado de REDD+, contempla o papel da conservação, o uso sustentável e o aumento de estoques de carbono nas florestas em seu contexto.
É neste mercado que o Legado Verdes do Cerrado, a primeira Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Brasil, está inserido.
Em 2022, a Reservas Votorantim, administradora da área, e a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), proprietária do território de 32 mil hectares, criaram o primeiro projeto de REDD+ do Cerrado brasileiro, certificando 11,5 mil hectares do Legado Verdes do Cerrado para emissão de 316 mil créditos de carbono, compreendendo o período de 2017 a 2021.
Através do REDD+ Cerrado, as empresas buscam promover e contribuir com os avanços na ciência para a conservação do bioma e de sua biodiversidade, fomentando a redução e presença de GEE atmosfera, além de gerar valor compartilhado para a região, o que contribui com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas.

Diante desse cenário urgente de conservação florestal, a redução das emissões de gases do efeito estufa e a adoção de práticas sustentáveis se tornam imprescindíveis.
* Thayná Agnelli é jornalista formada pela FAPCOM, tem experiência em gestão de redes sociais e é responsável pela criação de conteúdo para o Legado Verdes do Cerrado.