Nova espécie de árvore é descoberta no Norte Goiano
Oxandra cerradensis, identificada no Legado Verdes do Cerrado, já é considerada criticamente ameaçada de extinção e pode ser exclusiva do bioma Foram necessários cinco anos
10 de novembro de 2025

No entardecer do Cerrado, um som discreto pode ser ouvido à distância: o uivo abafado do cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), um dos habitantes mais discretos e adaptáveis deste bioma. De pequeno porte, mas de grande relevância ecológica, a espécie simboliza a biodiversidade que se adapta e segue viva, mesmo em meio às transformações da natureza.
Não é um animal que chame a atenção por sua força ou aparência imponente, mas pela inteligência e pelo papel essencial que desempenha nos bastidores naturais. Durante suas andanças noturnas, ele ajuda a controlar populações de pequenos animais, como roedores e insetos, além de dispersar sementes, contribuindo para o equilíbrio ecológico e para a renovação da biodiversidade.
Com sua pelagem acinzentada, focinho alongado e orelhas sempre alerta, o cachorro-do-mato muitas vezes passa despercebido. No Legado Verdes do Cerrado, ele tem sido registrado de diversas formas: seja através de observações diretas, seja por suas pegadas encontradas em diferentes áreas, ou pelos registros feitos pelas câmeras de monitoramento espalhadas pela reserva.
Dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) mostram que o cachorro-do-mato não está atualmente listado entre as espécies ameaçadas de extinção. No entanto, enfrenta ameaças significativas, como a perda de habitat e atropelamentos em rodovias. Uma pesquisa do Laboratório de Patologia Comparada de Animais Selvagens (LAPCOM), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), identificou que, ao longo de três anos de monitoramento, carnívoros silvestres como o cachorro-do-mato, a jaguatirica e a onça-pintada estiveram entre os animais mais afetados por atropelamentos em estradas que cortam a Mata Atlântica, o Cerrado e o Pantanal.
Diante desses desafios, ações de conservação integradas se tornam cada vez mais essenciais. No Legado Verdes do Cerrado, além do monitoramento contínuo de espécies, a criação de corredores ecológicos é uma estratégia importante para garantir a proteção da biodiversidade nativa.

Além de sua importância ecológica, o cachorro-do-mato carrega um simbolismo que reflete a essência do Cerrado: discrição, resiliência e uma profunda conexão com o ambiente. Sua presença, discreta, mas constante, reforça a importância de cada espécie para o equilíbrio das paisagens naturais. Assegurar que ele continue cruzando veredas, campos e cerradões é parte do compromisso com a manutenção dos processos ecológicos e da integridade do bioma. Seu uivo, muitas vezes quase imperceptível, serve como um lembrete de que até as formas de vida mais discretas desempenham papéis essenciais na dinâmica da natureza.