Nova espécie de árvore é descoberta no Norte Goiano
Oxandra cerradensis, identificada no Legado Verdes do Cerrado, já é considerada criticamente ameaçada de extinção e pode ser exclusiva do bioma Foram necessários cinco anos
10 de novembro de 2025

O Cerrado é um bioma de extremos. Seus solos, predominantemente ácidos e ricos em alumínio, dificultam a absorção de nutrientes pelas plantas. O clima, por sua vez, impõe longos períodos de seca, alternados com chuvas intensas, e o território é frequentemente atingido por queimadas. Diante dessas condições, a vegetação precisou desenvolver estratégias próprias para sobreviver e uma delas se manifesta nos troncos tortuosos que vemos nessa região.

Esse crescimento tortuoso acontece devido a morte das gemas apicais, pequenas regiões localizadas nas extremidades dos galhos, responsáveis pelo alongamento do caule e pela produção de novas folhas. Quando essas gemas são destruídas por queimadas ou outros estresses do ambiente, outras gemas, localizadas internamente ou nas laterais, assumem o crescimento, moldando troncos e galhos irregulares e sinuosos.

Essa característica não é falha, mas uma verdadeira estratégia de sobrevivência que permite às plantas do Cerrado resistir e florescer em um ambiente desafiador. Os troncos tortuosos e ramificações irregulares são marcas vivas da resiliência da natureza, mostrando como cada árvore encontra seu próprio caminho para crescer e se adaptar. Ao contemplar essas formas, percebemos a intrincada conexão entre solo, clima e vida vegetal que sustenta o bioma. Compreender essas adaptações nos ajuda a valorizar ainda mais a singularidade, a riqueza e a força do Cerrado.
* Thayná Agnelli é jornalista formada pela FAPCOM, tem experiência em gestão de redes sociais e é responsável pela criação de conteúdos para o Legado Verdes do Cerrado.