O canto do Cerrado: conheça a seriema e sua importância para o bioma
Alta, elegante e dona de um canto inconfundível, a seriema é uma das aves mais emblemáticas do Brasil. Encontrada caminhando pelos campos abertos do Cerrado, ela chama atenção não apenas pela aparência curiosa, mas também pelo importante papel que desempenha no equilíbrio ambiental.
16 de junho de 2026

O Cerrado, um dos biomas mais ricos e biodiverso do Brasil, tem ganhado destaque por sua importância ecológica e econômica. Conhecido por seu clima, vegetação savânica e rica biodiversidade, o bioma tem se mostrado um terreno fértil para o desenvolvimento da economia verde. Mas o que seria isso?
Economia verde é um conceito que busca aliar crescimento econômico à conservação ambiental, ou seja, promove práticas que reduzem impactos negativos ao meio ambiente, ao mesmo tempo em que geram empregos e criam oportunidades de negócios sustentáveis. No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2023 havia 2,3 milhões de pessoas trabalhando neste setor.
Economia verde no Cerrado
No Cerrado, a economia verde pode se manifestar de várias formas. A agricultura, por exemplo, que é uma atividade crucial na região, é capaz de promover métodos e técnicas sustentáveis, as quais fomentem a agricultura de baixo carbono, a recuperação de áreas degradadas, além de receita para o país.
Atualmente, o Cerrado é responsável por 60% da produção agrícola brasileira, porém é um bioma que ainda precisa de atenção em relação a devastação. O sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indica que no ano passado houve um aumento de 43% do desmatamento do Cerrado em relação à 2022. É neste cenário que a economia verde emerge como uma solução.
Segundo o relatório “The Cerrado: Production and Protection”, da iniciativa Tropical Forest Alliance, do Fórum Econômico Mundial, em colaboração com a Systemiq, ao adotar medidas de proteção ambiental ao mesmo tempo em que impulsione a produção sustentável de alimentos, o Cerrado poderia gerar 72 bilhões de dólares anuais à economia do Brasil até 2030.

A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que combina a produção de grãos, pastagens e árvores na mesma área, aumentando a produtividade e diminuindo a pressão sobre novas áreas de vegetação, é um exemplo de produção sustentável.
No Legado Verdes do Cerrado esse conceito é aplicado desde 2020, em 20% dos 32 mil hectares do território, através de práticas que visam a produtividade de grãos por meio do plantio direto na palhada, que mantém toda a estrutura física do solo, favorecendo o equilíbrio microbiológico e reduzindo a emissão de gases do efeito estufa.
Nesse modelo, após os cultivos, o gado alimenta-se da palhada, o que favorece o ganho de peso do rebanho e a ciclagem de nutrientes para o próximo ciclo produtivo.
O Legado Verdes do Cerrado também trabalha com outras frentes em sinergia à economia verde. Em uma área de seis hectares, antes ocupada por eucaliptos, a Reserva abriga hoje em sistema agroflorestal o cultivo das espécies nativas, baru e cajuzinho-do-cerrado, associadas a limão, banana e goiaba. Já, por meio de seu Centro de Biodiversidade, é capaz de cultivar até 250 mil mudas exclusivas do bioma por ano, que podem ser usadas em projetos paisagísticos e em reflorestamentos.

Investir na economia verde no Cerrado significa não apenas proteger um bioma valioso, mas também criar um modelo de desenvolvimento que respeita e integra a natureza. Combinando inovação, tecnologia e práticas sustentáveis, é possível construir um futuro em que a prosperidade econômica e a conservação ambiental caminham juntas. As oportunidades são vastas, e a chave para o sucesso está em adotar soluções que harmonizem negócios com a natureza, garantindo um legado positivo para as próximas gerações.
* Thayná Agnelli é jornalista formada pela FAPCOM, tem experiência em gestão de redes sociais e é responsável pela criação de conteúdos para o Legado Verdes do Cerrado.