O canto do Cerrado: conheça a seriema e sua importância para o bioma
Alta, elegante e dona de um canto inconfundível, a seriema é uma das aves mais emblemáticas do Brasil. Encontrada caminhando pelos campos abertos do Cerrado, ela chama atenção não apenas pela aparência curiosa, mas também pelo importante papel que desempenha no equilíbrio ambiental.
16 de junho de 2026
Por trás das paisagens abertas, das árvores de cascas retorcidas e das veredas, existe uma das maiores riquezas naturais do Brasil. O bioma ocupa quase 24% do território nacional e reúne uma biodiversidade marcada pela diversidade de espécies, paisagens e relações ecológicas. É também um território fundamental para a água, com nascentes que contribuem para importantes regiões hidrográficas do país.
Cuidar de um território tão diverso exige mais do que conhecer sua biodiversidade. É preciso pesquisar, monitorar, planejar, educar, gerir e criar condições para que diferentes iniciativas aconteçam.
É essa combinação de conhecimentos que está por trás do trabalho realizado no Legado Verdes do Cerrado (LVC).
Em uma área de 32 mil hectares, diferentes profissionais atuam de forma integrada. Cada um tem uma função específica, mas todos contribuem, de maneiras diferentes, para compreender o território e orientar ações de conservação.

Conhecer para orientar decisões
A pesquisa é uma das bases desse trabalho. No LVC, os estudos ampliam o entendimento sobre a biodiversidade e sobre a dinâmica do território, criando informações que podem orientar decisões e novas iniciativas.
É nesse trabalho que atua Cristiano Kherlakian Cabral, técnico agropecuário da Reserva, que participa da gestão da área de Pesquisa. Para ele, uma parte importante da função é justamente transformar dados em conhecimento acessível. Mais do que reunir informações, é preciso fazer com que elas cheguem às pessoas e ajudem a despertar uma nova percepção. “Isso é fundamental para que as pessoas tenham mais compreensão da realidade explicita, misteriosa e delicada da natureza”, explica.
Mas há algo interessante nessa história: quem trabalha para conhecer a natureza também acaba sendo transformado por ela.
Cristiano veio de São Paulo, que descreve como uma “floresta de concreto e aço”, mas encontrou em Niquelândia uma conexão com o Cerrado que, para ele, tornou ainda mais evidente a relevância de cuidar desse ambiente. “Hoje, tenho a dádiva de ver o sol nascer, presenciar a beleza da biodiversidade e quando vou dormir, sou acompanhado de um mar de estrelas. Me sinto muito próximo e conectado com o seu ritmo e estações, nunca foi tão claro para mim a importância da sua conservação”, enfatiza.

Cristiano Kherlakian Cabral - Técnico Agropecuário do LVC
A conservação também acontece nos bastidores
Nem todas as atividades ligadas à conservação acontecem em campo. Pesquisas, projetos e iniciativas precisam de processos, organização, relacionamento e estrutura para acontecer.
Eliane da Silva Pereira, técnica de Operações Administrativas do LVC, atua nessa frente, dando suporte à rotina e aos processos que sustentam as diferentes iniciativas da Reserva. A experiência também mudou sua relação com os recursos naturais: “Aprendi a ser mais consciente. Evito desperdícios, reutilizo materiais sempre que possível e procuro transmitir esses aprendizados para minha família”, destaca.
Na área comercial, Mickaela Kemily Ferreira dos Santos, estagiária comercial da Reserva, atua no apoio à comercialização de produtos associados a práticas sustentáveis. Para ela, esse contato também ampliou sua percepção sobre a conservação: “Depois de aprender mais sobre conservação, passei a ter mais cuidado para evitar desperdícios, reciclar sempre que possível e utilizar os recursos de forma mais consciente, tanto no trabalho quanto fora dele”, revela.
Conectar pessoas e território
É nessa conexão entre diferentes áreas, conhecimentos e pessoas que entra a atuação socioambiental. No LVC, Leticia Oliveira Felix, analista socioambiental, trabalha com educação, projetos, comunicação e diálogo com diferentes públicos.
Para ela, essa dimensão é fundamental para que o conhecimento produzido no território também gere mudança: “Passei a refletir mais sobre consumo, desperdício e sobre como pequenas atitudes podem gerar impactos. No trabalho, também aprendi a valorizar ainda mais o diálogo e a educação ambiental, porque acredito que a conservação acontece de forma mais efetiva quando as pessoas entendem por que precisam cuidar”, conta.

Letícia Felix - Analista Socioambiental do LVC
Cada profissão tem seu papel
É por isso que falar sobre as profissões que fazem a conservação acontecer é também ampliar a ideia do que significa trabalhar por um território. Há quem esteja em campo e quem esteja nos bastidores; quem produza dados e quem transforme informação em conhecimento; quem pesquise uma espécie, desenvolva uma ação de educação ambiental ou cuide dos processos que dão sustentação a cada iniciativa.
Porque cuidar do Cerrado é uma construção coletiva. E, no Dia Nacional do Cerrado, reconhecer a importância desse bioma também é olhar para quem dedica seus conhecimentos, experiências e diferentes formas de atuação a esse território.
No fim, são muitas pessoas, saberes e caminhos que se encontram em um mesmo propósito: conhecer o Cerrado, valorizar sua riqueza e construir, todos os dias, novas possibilidades para o seu futuro.
* Thayná Agnelli é jornalista formada pela FAPCOM, tem experiência em gestão de redes sociais e é responsável pela criação de conteúdos para o Legado Verdes do Cerrado.