Quando conservar também significa capturar carbono
Quando pensamos em enfrentar as mudanças climáticas, muitas soluções parecem complexas ou distantes.
17 de abril de 2026

Lar de espécies raras e ameaçadas de extinção, o Legado Verdes do Cerrado – primeira Reserva Privada de Desenvolvimento Sustentável de Goiás, de propriedade da CBA (Companhia Brasileira de Alumínio), localizada em Niquelândia (GO), também é refúgio para os “Big Five” do Cerrado. O termo é utilizado na área da conservação para se referir aos cinco maiores mamíferos do bioma: a onça-pintada, o tatu-canastra, a anta, o lobo-guará e o tamanduá-bandeira. A descoberta da Reserva como abrigo para essas espécies aconteceu durante balanço do projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade, conduzido pelo Legado Verdes do Cerrado.
O projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade é realizado desde novembro de 2020 com o objetivo de realizar o levantamento de espécies no território. Instaladas em 25 pontos estratégicos da Reserva, as armadilhas fotográficas, também chamadas de câmeras-trap ou câmeras de monitoramento de fauna, permitem entender quais animais podem ser encontrados no Legado. As câmeras ficam instaladas durante 90 dias e depois são retiradas para a triagem das imagens. Em outubro, durante a análise do material, foi constatado que o Legado Verdes do Cerrado abriga os “Big Five” do Cerrado.
“A presença desses animais mostra a importância do Legado Verdes do Cerrado como um grande corredor ecológico do Norte Goiano. Além disso, reforça a efetividade do modelo de múltiplo uso do solo que aplicamos no Legado, o qual permite ter no mesmo território, atividades da economia convencional aliadas às da nova economia. Isso mostra que outros grandes remanescentes de Cerrado, que são essenciais para conservação dessas espécies, têm alternativas para manter a floresta em pé, sendo economicamente viável e contribuindo para a redução de uma das principais ameaças aos Big Five e outras espécies: o desmatamento”, explica David Canassa, diretor da Reservas Votorantim, gestora do Legado Verdes do Cerrado.
A origem dos Big Five
O termo vem da África, que se referia aos cinco animais mais difíceis de serem caçados: rinoceronte-branco, búfalo-africano, elefante, leopardo e leão, conforme explica Stephanie Simoni, bióloga do Onçafari, associação criada para estudo e conservação da vida selvagem e parceira da Reservas Votorantim. “Com o passar do tempo, o termo foi incorporado por campanhas de marketing de agências de turismo pelo mundo todo para se referir aos cinco maiores animais de uma localidade ou bioma. Não há um consenso, cada local pode elencar os seus Big Five de acordo com a fauna local. O importante mesmo é essa virada de chave: um termo que era usado para matar os animais, agora atrai pessoas para fotografá-los em safaris ou atividades de observação de fauna, gerando recurso para contribuir com a conservação das espécies”, contextualiza a bióloga.
Conheça os Big Five do Cerrado
Onça-pintada, o maior felino das Américas
É considerada uma espécie bioindicadora, ou seja, a sua presença é um indicativo da qualidade do ambiente, segundo Stephanie. Isso porque é um animal sensível a mudanças no ambiente e precisa de grandes áreas para sobreviver.
No Cerrado, de acordo com a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção do ICMBio, a onça-pintada está classificada como “Em Perigo”. As populações da espécie neste bioma foram reduzidas em mais de 50% nos últimos 25 anos, portanto, a longo prazo, podem ser extintas caso não haja esforços de conservação. No Legado Verdes do Cerrado o animal já foi registrado diversas vezes, inclusive na sua variação com melanismo, ou seja, a onça-preta, ou pantera do Cerrado como também é conhecida.
Tatu-canastra, o maior tatu do mundo
A espécie foi registrada pela primeira vez em 2023 no Legado Verdes do Cerrado. De acordo com o pesquisador Dr. Arnaud Desbiez, do Projeto de Conservação do Tatu-Canastra, que auxiliou na identificação do registro, os indivíduos dessa espécie chegam a medir cerca de 1,5 metros da ponta do focinho (nariz) até a ponta da cauda, e pesam, em média, 50 quilos. Outra característica que impressiona neste tatu é o tamanho da sua terceira garra (unha), que pode chegar a 15 centímetros, sendo maior que as de um urso-polar, um dos maiores do mundo. O pesquisador se refere ao tatu-canastra como “fóssil vivo” devido à armadura que cobre o seu corpo, que é bem grossa e robusta, conferindo ao animal uma aparência que remete aos dinossauros.
No Cerrado, o estado de conservação do tatu-canastra é classificado como “Vulnerável”. No entanto, Desbiez alerta que a espécie “resiste isolada em remanescentes de Cerrado e que, provavelmente, as populações no bioma são pequenas e inviáveis, e podem desaparecer se não forem protegidas”.
Anta, o maior mamífero terrestre das América do Sul
Considerada a “jardineira da floresta” por pesquisadores, a anta é uma aliada na renovação da floresta por dispersar sementes por meio da sua dieta, composta principalmente por frutos e vegetais. As fêmeas, normalmente, são maiores que machos, e um adulto pesa de 180 a 300 quilos, e chega até 2 metros de comprimento. Mas, no Cerrado, os indivíduos costumam ser menores, chegando até 250 quilos. Possuem hábitos tipicamente noturnos e solitários, e a gestação da anta dura cerca de 380 dias e gera apenas um filhote por vez.
No Cerrado, de acordo com a Lista Vermelha, a anta é classificada como “Em Perigo”, o segundo estado de conservação mais grave para as espécies na natureza, sendo a pior a de Criticamente em Perigo. No Legado Verdes do Cerrado, é muito avistada nas câmeras de monitoramento e em encontros diretos.
Lobo-guará, o maior canídeo sul-americano
Sua pelagem avermelhada e pernas longas e finas, que dão a ele quase 1 metro de altura, o tornam um animal único no Cerrado. Possui orelhas bem grandes, semelhantes a algumas raposas, que amplificam o som e o ajudam a localizar as suas presas. Embora se alimentem de outros animais, boa parte da sua dieta é composta por frutos, segundo Stephanie Simoni, bióloga do Onçafari.
Na lista brasileira de espécie ameaçadas, o estado de conservação do lobo-guará é classificado como “Vulnerável”. No Legado Verdes do Cerrado, os vídeos do monitoramento mostram o animal em diferentes situações: em caminhada lenta, correndo e até em casal, com registros durante o dia e a noite.
Tamanduá-bandeira, o maior dos tamanduás
Com cerca de até 2,20 metros de comprimento, com até 45 quilos, o tamanduá-bandeira tem uma cauda longa e pelagem característica, com uma faixa preta com bordas brancas que inicia no peito e vai até o dorso (coluna, parte superior das costas). Além da coloração, o tamanduá-bandeira também se destaca pelo focinho alongado e língua que se estende para fora da boca (chegando a 60 centímetros), usada para pegar cupins e formigas, que compõem boa parte da sua alimentação. Uma curiosidade é que o tamanduá-bandeira não tem dentes. A espécie gera apenas um filhote por gestação.
O tamanduá-bandeira, originalmente, era encontrado em todo território brasileiro, mas já foi extinto no Rio de Janeiro e Espírito Santo. Seu estado de conservação no Brasil é considerado “Vulnerável”. No Legado Verdes do Cerrado, o animal já foi registrado pelas câmeras de monitoramento de fauna e por funcionários.
Sobre a CBA
Desde 1955, a CBA - Companhia Brasileira de Alumínio atua de forma integrada, da mineração ao produto final, incluindo a etapa de reciclagem. Com capacidade de gerar 100% da energia consumida por meio de fontes renováveis, a CBA fornece soluções sustentáveis para os mercados de embalagens, transportes, automotivo, construção civil, energia e bens de consumo, além de ser líder em reciclagem de sucata industrial de alumínio.
Com a abertura de capital em 2021 (CBAV3), foi a primeira Companhia no segmento a ter ações negociadas na B3 e faz parte da carteira do ISE B3 - Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3 - desde o seu primeiro ano de elegibilidade. Com receita líquida de R$7,3 bilhões em 2023 e R$307 milhões de EBITDA ajustado no período, a CBA tem o compromisso de garantir a oferta de alumínio de baixo carbono em parceria com os stakeholders, desenvolvendo as comunidades em que está inserida e promovendo a conservação da biodiversidade.
Quer saber mais? Acesse www.ri.cba.com.br
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